As Contingências da Blogabilidade

Cheguei a pouco do 11º Encontro Locaweb e, dentro as palestras, o que mais gostei foi de ter algumas perguntas respondidas por Luciano Santos, da Google. Não que as palestras tenham sido ruins, ao contrário, mas elas trouxeram, muitas das vezes, informações condensadas demais e, portanto, superficiais. Claro, essa era a idéia do evento.

Gostaria de comentar alguns tópicos sobre esta conversa, sobretudo porque muitos de nós, que vivemos a/de blogar, temos sérios problemas com variações de ganhos, variações essas que ocorrem, sobretudo, quando se usa o AdSense. Isso acontece pela herança do AdWords, que trabalha com leilões de palavras chaves. Em resumo, a história é que não há receitas de bolo para blogs, (mentira, aqui tem) seja para visitação, seja para rentabilização, fato que me lembra muito um artigo de filosofia analítica do Ian Hacking, The contingencies of ambiguity.

No artigo, que na verdade, é uma resenha, Hacking explora a o argumento de Putnam no The Meaning of Meaning com respeito à Jade. O post não é sobre filosofia, mas sobre blogs, então, basta saber que, a idéia geral do argumento é que significados das palavras (e posteriormente conceitos, meu interesse particular) não estão na mente. Eles dependem do mundo e este mundo tem uma história que é, ela mesma, contingente – duvida? Pergunte a Darwin. Por isso o artigo do Hacking é precioso. A Jade nomeia dois compostos totalmente diferentes e a ambigüidade de significados diz respeito somente à história, complicada, do mundo.

Com blogs a coisa é semelhante. Existe uma série de relações causais não controladas entre o usuário, o blogueiro e os programas de afiliados, que fica quase impossível rastrear todos os elementos para dizer que este ou aquele fator pesa mais. E se isso acontece, diz respeito somente àquele blog, não muita coisa pode ser passada aos demais. Neste ponto, as estatísticas são importantissímas. Acompanhe seus logs. Trace boas metas, reotimize seus conteúdos mais acessados etc. Mas tenha em mente que, ainda assim, você pode ler os dados erroneamente. E aqui chego à minha mensagem propriamente dita.

Estive meio preocupado com o tal do Smart Price em minha conta do AdSense (fato que, vocês vão observar, estou utilizando UOL Afiliados por ora). Embora você encontrará um vasto material na web sobre Smart Pricing, poucos deles lhe serão de alguma ajuda. Em português, existe um no Lucrando na Rede e outro, mais interessante, de leitura obrigatória, no Br Point. Digo que o artigo do Bruno Alves é mais interessante por pegar justamente no ponto. Quem está por trás do Smart Price, não é o AdSense de seu blog, mas AdWords do anunciante. Existem diversos fatores técnicos que seriam necessários 10 engenheiros da Google para explicar cada caso (palavras do Luciano Santos) que passam pelo leilão do AdWords. Quantas vezes não escolhemos um determinado nicho baseado no cpc do Adwords? Não raro experimentamos apenas 20%, ou menos, deste total. Isso acontece, por exemplo, devido a uma relevância menor na rede de conteúdo. Ora, a relevância de uma palavra chave se perde em meio ao conteúdo total do site, o que não acontece com as pesquisas. No caso da pesquisa, o usuário recebe o melhor ad para aquela palavra chave o que faz aumentar o custo do clique para aquele caso.

É claro, a coisa é muito mais complexa que isso, e não temos 10 engeinheiros do Google a disposição no momento (devemos contentar com o Inside AdSense). Mas isso não importa, o post não é uma lição de smart price, mas sobre blogs no geral. A grande lição aqui, eu diria, é experimentar. Você nunca irá esgotar todas as possibilidades de sucesso ou fracasso de um projeto e, raramente, poderá transportar a mesma fórmula para todos os projetos. Digo por experiência. Em três blogs de jogos online, criados na mesma época, em WordPress com o mesmo tema, o mesmo padrão de escrita, atualização, linkbaiting etc. Um deles tem cerca de 12x mais que os demais. Uma explicação rasteira seria a palavra chave muito específica no domínio do de maior sucesso e mais genéricas nos demais, mas isso não é suficiente. A questão é, quem faz o sucesso de seu site ou blog, são os usuários e isto, você não controla.

Obs.: Depois deste apelo pseudo-filosófico, e das possibilidades que um blog abre profissionalmente (influências também do evento) é bem possível que comece meu blog livre de filosofia. Possibilidade que tanto temia a um ano atrás, quando comecei a trabalhar com blogs (vide) e pensava não ter nada relevante a dizer.

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